domingo, 29 de abril de 2012

Aconchego





A escolha em sorrir e chorar nos cai no colo todos os dias e tenho aprendido que não há escolha mais grata e bendita do que a da alegria, mas só faz essa escolha quem consegue ver graça no sério, doce no amargo.

Tristeza é caminho denso, empregnado de espinhos que nós mesmos construímos, podemos ter a ajuda de pessoas de fora que regam nosso jardim com amor, o qual deixa os espinhos mais fáceis e moles de serem arrancados, mas tirá-los de dentro é tarefa que só nós podemos fazer.

Simples? Sim, quem complica é a gente colocando a culpa em terceiros ou inventando desculpas pra adiar a felicidade que já mora em nossa alma. Somos os únicos responsáveis pela nossa alegria, as pessoas em volta apenas agregam mais cor a nossa casa chamada coração, onde a decoração toda corre por nossa conta e risco.

Não tem mistério, não tem varinha de condão, o importante é a gente se sentir em casa dentro de nós mesmos, é nos sentirmos aconchegados em nosso próprio coração.


Meire Oliveira

sábado, 21 de abril de 2012

De mãos dadas comigo e contigo



 


As pessoas mais especiais pra mim, que gosto de ter por perto são as que quando se aproximaram de mim fizeram com que eu também me aproximasse mais de quem eu realmente era.


São as que não passaram a mão na minha cabeça, me mimando e dizendo só o que meu ego queria ouvir, porque ego inflado não traz benefício algum, só a sinceridade branca e verdadeira ajuda a crescer.


Foram as que não só me estenderam a mão, mas as que me ajudaram a entender que a primeira mão que eu teria que segurar era a minha. Foram as que não quiseram me moldar, mas sim me apoiar, me alertar. 

Costumo dizer que somos feitos de luz, mas também somos feitos do que e de quem nos cerca. Somos feitos também das gentes que escolhemos pra ter por perto, que atraímos pra nossa vida num devido momento.

Aprendi a sentir com mais leveza, a amar com delicadeza, mas também a escolher mais a dedo de quem me aproximo ou me afasto. Levo na bagagem só o que pra mim vale a pena, deixo pelo caminho o que não quer mais valer. Passei um longo tempo exitando em fazer faxinas cá dentro do meu peito e isso acumulou poeira desnecessária, por isso hoje em dia ouço mais o que meu coração diz, se faz bem fica, se não, vai embora. E isso não é frieza, é amor próprio.

Não trato a todos que me cercam iguais, porque as pessoas são únicas e cada uma desperta em mim um jardim diferente, alguns cheios de flores, outros nem tanto.

A vida é um constante despetar e quando somos bons com a gente mesmo, nos respeitamos, temos confiança em quem somos, conseguimos entender o que é respeitar o outro e gostar de verdade. Talvez esse seja um segredo que alguns já descobriram e outros ainda estão a caminho de descobrir.



Quem eu amo sabe, quem eu amo me sente. Porque sentires a gente não explica em versos, a gente pinta em gestos.


Meire Oliveira  

segunda-feira, 16 de abril de 2012

É preciso plantar pedaços de céu






Quando deixamos o medo, o vilão dos vilões, guiar nossa vida, ela fica mais pesada e escura. As coisas começam a não fazer sentido porque tudo o que tentamos colocar no eixo vem regado por essa lama escura que quando se mistura aos nossos sonhos e sentimentos mais bonitos faz tudo desaparecer aos poucos. 


Nada pode atrapalhar mais nossos planos do que o medo, sem ele nos livramos do peso de mais de cem quilos nas costas. Sem ele, podemos trabalhar todos os dias de maneira mais suave nossa paz, essa sim é a mocinha da história. Quando aprendemos a basear nossa vida em nossas próprias forças sabemos que temos capacidade suficiente de ir tão longe quanto queremos, afinal temos a centelha divina dentro de nós.

Porque paz é ter disposição pra dar e receber amor. É ter vontade de sorrir por nada e por tudo, é deixar-se cativar pelas surpresas abençoadas que chegam em nosso caminho.  É como ter uma chuva de pétalas a banhar toda nossa alma.


Cada um tem sua própria maneira de buscar por ela. A minha é silenciosa, mas tem som leve de riso gostoso.



Cuidar da nossa paz interior é como plantar pedaços de céu pra colher nuvens  em nosso próprio peito.



Meire Oliveira

domingo, 8 de abril de 2012

Despertar pra belezuras




Trago em mim belezuras no sentir. Posso ser um rio calmo e manso, mas também posso ser um mar bravio. Não peço licença e nem desculpa por existir. Existo com a fortaleza interior infinita e com traços de amor que deixo brotar suavemente do coração.

Não gosto de tatuar culpas ou tristezas. Aprendi com o tempo que só sou atingida pelo que deixo me atingir, por isso minha força mora em minhas próprias entrelinhas. O que é externo é também mutável, só o que verdadeiramente me toca o coração e faz brotar sentimentos que possam brindar com minha  paz é que serão permanentes.

Gosto de ser solta e sentir o gostinho de liberdade adoçando minha boca. Se erro algum rabisco porque não apontei direito meu lápis, na linha seguinte já me perdoei pelo impasse e recomeço com a mesma graça do princípio.

Carrego além da doçura a firmeza do que quero e o que não quero pra mim. Já colecionei por muito tempo pesos desnecessários, já culpei outros por minhas próprias desilusões, mas hoje sei que quem se desilude é porque se iludiu, ninguém ilude ninguém, como diz um amigo: as pessoas é que são iludíveis. Hoje, enxergo a realidade através dos meus próprios olhos que são encantados por cada luminosidade que a vida me traz. 

Vez enquando acontece de eu me deparar com a janela que dá pra dentro de mim entreaberta, mas quando percebo que a corrente de ar diminuiu, corro pra deixá-la escancarada novamente, pra que esse ar possa estar constantemente refrescando minha alma.

Hoje não sou eu quem vai atrás das borboletas, são elas que vem bailando ao meu encontro. Alguns chamam isso de magia, eu apenas chamo de alegria, que mora dentro de mim e que gosto de espalhar todos os dias.


Meire Oliveira


domingo, 1 de abril de 2012

Refletores de belezas raras




O outro também é um espelho do nosso interior. Se só conseguimos ver defeitos nele e nos incomodar profundamente com eles é porque também nos enxergamos assim. Reconhecer nossas próprias qualidades de maneira saudável e amar cada detalhe que faz parte de nosso ser, até nossos defeitos, também nos faz querer bem quem nos cerca, nos faz enxergar belezas raras e delicadas.

Saiba sorrir pra si mesmo em frente ao espelho depois de uma dose de auto-cócegas-na-alma. É uma receita de luz infalível.

A vida funciona da maneira que nos tratamos. Se somos bons conosco, nos valorizamos, nos respeitamos, o reflexo será bom. Mas se nos colocamos no chão, como não merecedores de nada, é abaixo dele que irão nos deixar.

Somos refletores do que semeamos em nosso interior e temos a plena capacidade de cultivar uma constelação inteira nele basta mantermos aceso o dom que todos temos de colorir o céu que mora em nós.



Meire Oliveira

Cartas de fora para dentro - carta 2

Quando pequena achava que só se nascia uma vez, mas quando cresci descobri que temos muitas vidas em uma. Que é preciso subtrair o p...