terça-feira, 31 de maio de 2011

A dor tem lá suas lições a ensinar



É a partir da dor que resolvemos melhorar. É a partir dela que conseguimos ver o lado bom da mesma. E também querer recomeçar. Às vezes recomeçamos da onde paramos, e há vezes que temos que desenhar uma nova imagem das coisas; das pessoas. Passamos a ver tudo com novos olhos, como se nossos olhos até agora não fossem nossos  e que a partir do instante da dor os tivessemos encontrado. Sim. É como se depois de muito tempo você tivesse carregado os seus olhos no bolso da sua calça jeans e só  depois de lavá-la mil vezes é que os encontra. A dor te faz enxergar melhor.
            Não canso de afirmar e reafirmar; quando dói não é fácil ser forte. Todos dizem: Vamos lá, você consegue, você é forte e ficamos tentando encontrar nossa força, que por hora parece ter se escondido de nós.  Mas a dor  também engrandece o ser humano, olhada por várias ângulos, claro. Não adianta olharmos por apenas um ângulo, podemos nos sentir revoltados e isso não nos faz crescer. Não podemos ser vítima da dor para sempre. Temos que aprender a ver o lado bom de tudo, até as piores coisas o têm. O mais importante é saber caminhar pra frente, não pestanejar em arriscar-se em algo novo, querer ser feliz já é um começo para dor ficar para trás. 

O remédio para dor? Na maioria das vezes é apenas o tempo que a apaga ou ao menos disfarça. Mas jamais pense que o mundo pára só porque você quer descer!!!!


Não sou do tipo que chora por qualquer coisa, então se eu chorar, é por que está sendo muito difícil pra mim.




®Meire


"Take a sad song and make it better."  John Lennon  and Paul McCartney

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Louca eu, louco você


Adoro pessoas que são chamadas loucas. Pois elas sim têm a coragem de viver e dizer o que outras pessoas que se dizem insensatamente normais não têm. Elas não percebem  o quão ser normal é chato e que nada na vida tem um pingo de alegria se não tiver um toque de loucura!

Mas afinal o que é ser normal nos dias de hoje? Fazer o que as pessoas esperam que fazemos? Para quê? Para nos tornarmos pessoas previsíveis? Para não termos diversão? Para não sairmos um pouco da nossa rotina?
Assim nos tornamos pessoas entediantes, quase um robô sempre repetindo tudo.
O mundo precisa de atitude, de um toque de doçura, travessura em tudo o que fazemos, será que é mais fácil ser louco ou ser normal? Ser feliz não pode se tornar banal.


Ser louco é ser feliz, pois quem tem a audácia de cometer essa doce loucura que é viver é  quem tem a divina coragem necessária para seguir em frente mesmo com tantos obstáculos pelo caminho.



Como já dizia Elis Regina "Alguma loucura é fundamental."


®Meire

domingo, 29 de maio de 2011

A sós




Desde que comprei um celular, há dez anos, as esperas no ponto de ônibus, o cafezinho solitário no meio da tarde, as andanças na rua ou o contemplar de uma paisagem passaram a ser momentos menos meus. Nunca estou sozinha: a possibilidade de compartilhar o instante com quem não está ali me acompanha. Na era das comunicações instantâneas, há sempre um telefone tocando, uma mensagem chegando, uma janela piscando no computador. Nesses tempos, solidão e silêncio são quase defeitos: se não estou falando com alguém, parece que há algo errado comigo. Foi em madrugadas insones que consegui dispensar todas as companhias para me encontrar com a mais ausente: eu mesma. A sós, pude me fazer perguntas difíceis e respondê-las em voz alta. Ensaiar conversas que gostaria de ter. Ou apenas ficar quieta e à toa – sem me sentir esquisita por isso. E descobri que a solidão é o espaço mais verdadeiro e tranqüilo que podemos explorar: longe dos olhos dos outros, somos quem somos, e não quem deveríamos ser. Agora, exercito a solidão diurna. Ir ao cinema sozinha, tomar um café com o celular desligado e caminhar sem companhia têm me ensinado a separar o que é estar com alguém por vontade e o que é se manter conectada por simples ansiedade. E minha companhia tem ficado cada vez melhor.

Amanda Rahra

"Não adianta procurar em alguém motivos para sorrir se você não consegue sorrir sozinho primeiro."

sábado, 28 de maio de 2011

Não se reprima




Cantar é o jeito de expressar coisas que, ditas em prosa, não soam do mesmo jeito. Vem daí a vontade de entoar aquela música pra alguém, a certeza de que a canção foi feita pra você ou o poder de um simples refrão resumir um turbilhão de sentimentos inexplicáveis. Um velho ditado inglês já dizia: para ser honesto, cante. Soltar a voz é instintivo. Como tal, pode até ser reprimido – mas que está aí dentro de você, ah, está. É de tempos imemoráveis que colocamos ritmo na voz, transformamos emoção em melodia, fazemos versos de preces. E faz bem, tão bem: pesquisas mostram que, ao cantar com prazer, fortalecemos o sistema imunológico, diminuímos os hormônios do estresse e aumentamos os do bem-estar. Na atenção ao canto, aprendemos a ouvir o corpo. Respiramos melhor, a postura se acerta, as emoções se soltam. Pode ser num coral ou no karaokê, dirigindo, no banho, acompanhando o disco. A voz não nasce técnica – é a força que brota e se espalha por todos os cantos. Deixe sair.

Marilia Neustein 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Preciosidade



Definir um amigo é difícil, pois cada um tem um valor diferente em nossa vida. Há pessoas que sem percebermos entram em nossa vida e a mudam de uma maneira especial. O importante é saber ser leve, sentir-se leve ao lado de um amigo, pois um amigo não é para preencher espaços vazios que existem dentro de nós e sim trazer alegria e companheirismo à nossas vidas. É raro encontrar pessoas assim. Amigo é àquela pessoa em quem confiamos sem restrições, falamos besteira sem medo de sermos repreendidos, falamos palavras carinhosas sem medo de sermos mal compreendidos. Amizade é um sentimento lindo, leve, livre e solto. Solto? Solto, porque quando temos um bom amigo queremos dividir com outras pessoas para que o mundo fique mais bonito, com belas amizades. Livre porque sabemos que também somos queridos e que o amigo por mais tempo que fique longe voltará com os braços abertos e dirá : Que saudade! E mesmo que passe mil anos será sempre do mesmo jeito, talvez mude um pouco e a amizade fique mais bonita conforme o tempo, pois agregando valores e aprendizado em nossa vida, os agregamos também em nossas relações. E o peculiar são as conversas sem fim, assuntos emendados um no outro. As melhores gargalhadas. A alegria de ouvir a voz de alguém querido num momento triste ou mesmo alegre para tudo ficar ainda melhor.
          Amigo não é àquela pessoa que te acha perfeita e sim que te aceita da maneira que tu és, com seus defeitos e qualidades. Que se você falhar e pedir desculpas haverá compreensão. Aprendi com o tempo que não existe um melhor amigo e sim amigos e os que tenho são todos os melhores, pois me aceitam maluca do jeito que sou e me querem bem e cada um da sua maneira ilumina a minha vida e trazem alegria, paz e serenidade ao meu coração. A vocês o meu muito obrigada pela amizade sincera, pela mão estendida, o abraço na hora certa! 



."O caminho de cada um é feito pelos próprios passos, mas a beleza da caminhada depende de quem vai conosco."

Dedico esse post não só aos meus amigos que estão na foto, mas aos blogueiros  também que mesmo longe ajudam a formar esse lindo time dentro do meu coração.


foto: meus amigos e eu no nosso Thanksgiving do ano passado.


®Meire

terça-feira, 24 de maio de 2011

A melhor piada do mundo



Dizem que Eva estava perdida em seus pensamentos, lavando sua folha de parreira no rio, quando Adão sorrateiramente se aproximou por trás, cobriu os olhos da moça com suas mãos e disse: “Adivinha quem é!”. Os dois caíram na risada, e viram que aquela ideia de falar frases engraçadas era um barato. Estava criada a piada, e o mundo nunca mais seria o mesmo. Encantado com o poder de sua invenção, Adão teria passado a receita para seus filhos, que se encarregaram de levar o humor a todos os cantos da Terra. Conforme o hábito foi se espalhando, a técnica se desenvolveu. Nasceram os trocadilhos, as tiradas nonsense, a autopiada, a piada pronta, a piada de português... E também as proibidas, traficadas no mercado no humor negro. Com as comédias gregas, a piada virou espetáculo para multidões. Passou a movimentar milhões de dólares no cinema e na televisão. E virou até tema de pesquisa científica. Um estudo divulgado em 2002 pelo instituto britânico LaughLab (“laboratório do riso”) chegou a eleger a anedota mais engraçada do mundo: um caçador vê seu colega desacordado na floresta e liga para a emergência: “Meu amigo morreu, o que faço?”. “Primeiro é preciso checar se ele realmente está morto”, respondem. Ouve-se um tiro. E o caçador volta ao telefone: “O.k., e agora?”. Bem, logo se vê que, quando o humor vira coisa séria, perde a graça. A melhor piada não pode ser construída em laboratório, como uma fórmula mágica. Ela é aquela que fazemos de improviso, entre pessoas queridas, rindo dos nossos defeitos, observando relações improváveis, resgatando a lembrança certa no momento mais oportuno. Ou seja, compartilhando a vida por meio de um dos presentes mais preciosos que a natureza nos deu, desde os tempos de Adão: a capacidade de ser feliz.


Dilson Branco

Não acredito em impossível






Um dia, a ideia apareceu, e pronto: virou verdade. De repente, eu soube que, se cavasse um buraco bem fundo na areia do parquinho, iria encontrar água. Não essa de poça: água azul-clarinha, transparente, como de piscina, cheia de flores e peixes coloridos. Então, mergulharia no buraco. Nadando entre os cavalos-marinhos, chegaria ao lago. Lá, o arco-íris no céu nunca sumia, a água da cachoeira caía sem machucar, podia ir na roda-gigante e comer cachorro-quente da barraquinha até se cansar. Mais ninguém morava ali: só os unicórnios. Tinha certeza absoluta e irredutível de que esse lugar era real. Podia descrevê-lo em detalhes, sentir seus cheiros, cores, sons. Em todos os recreios dos meus seis anos, me punha a cavar, e só parei no dia em que cimentaram o terreno. 

Sinto falta de verdades inquestionáveis assim. De tanto nos dizerem que não dá, não pode, não existe, desaprendemos a imaginar o impossível. Passamos a duvidar dos sonhos, cheios de preocupações práticas e autocensuras. 

Mas, quando não tem ninguém olhando, confesso: eu fujo. E, em vez de pensar na lista de pendências do dia seguinte, imagino a casa na árvore que construiria numa ilha deserta. Ou como seria respirar debaixo d’água, viajar no tempo, ter quatro braços, ler pensamentos. De outras, me vejo aventureira, e planejo como escapar de índios canibais, atravessar um labirinto, sobreviver ao deserto. Há dias em que me coloco em outras vidas – como seria se eu fosse indiana, detetive ou tocasse sanfona? Como as crianças sabem (essa sabedoria que nos podam enquanto crescemos), imaginar é o maior dos superpoderes. Se não dá vida aos sonhos, ao menos nos deixa mais perto das vidas que sonhamos ter. E faz tudo ser possível outra vez.



Roberta Faria

domingo, 22 de maio de 2011

Felicidade em duas rodas





Tem a ver com liberdade. Com vento no rosto, sensação de que a gente quase pode voar. Tem a ver também com orgulho por superar limites, por conseguir executar a mágica de se equilibrar e mover as rodas sem nenhum motor que não o próprio girar, girar, girar. Isso é andar de bicicleta. Como a maioria das crianças, aprendi a pedalar usando rodinhas de apoio. Temia nunca conseguir ficar sem elas. Mas aí, um dia, o feitiço aconteceu, e, sem nem perceber como, eu já estava andando de bicicleta. Foram alguns tombos e muitos momentos de pura alegria voando pelas ruas e calçadas da cidade do interior de Minas onde nasci. Anos depois, já adulta e morando na maior capital do país, redescobri esse prazer de criança. Estava trêmula no início, com o medo de ser a única pessoa do mundo que esqueceu como andar de bicicleta. Alguns metros, porém, e comecei a sentir, de novo, o vento no rosto, o cadenciar das pernas, a alegria de estar em movimento pela energia apenas do meu corpo. Aos poucos, a bici me ensinou novos prazeres, como me relacionar com a cidade de forma mais humana, me locomover sem depender de carros nem de ônibus e perceber que, depois de cada subida penosa, vem uma descida incrível, que compensa o esforço e justifica o sorriso. No fim das contas, meus receios eram bobagem. Quem aprende a voar realmente não esquece.


Jeanne Callegari



sábado, 21 de maio de 2011

Essência




O bom é captar a essência das pessoas. Porque existem pessoas que acham que nada têm de bom, mas enganam-se cegamente porque cada um de nós tem uma linda flor lá dentro. Há pessoas que escondem o melhor delas no mais profundo, não deixam sua flor desabrochar. Todos temos defeitos e qualidades, algumas pessoas fazem de tudo para enaltecer seus próprios defeitos. Melhor seria se conseguissem trabalhar melhor seu lado bom. Todos acabamos por viver em função do medo. As pessoas não amam porque têm medo de sofrer, não criam elos afetivos pelo medo da perda...sempre o medo em primeiro lugar. Será que a essência da humanidade agora é o medo? Tem gente com medo de falar o que sente por medo de ser mal interpretado. Eu não caio mais nessa, porque deixar algo para amanhã se posso fazer agora?? Perguntas sem respostas. Tem muita gente por aí virando verdadeiros covardes. A vida é muito curta pra perder tempo com esse tal de medo quando é muito mais fácil regar nossa flor interior para que desabroche.

®Meire



"Todos nós amamos, erramos ou julgamos mal...
Todos nós já fizemos uma coisa quando o coração mandava fazer outra...
Então, qual a moral disso tudo?
Nem tudo sai como planejamos portanto, uma coisa é certa...
Não continue pensando em suas fraquezas e erros, faça tudo que puder para ser feliz hoje!
Não deite com mágoas no coração.
Não durma sem ao menos fazer uma pessoa feliz!
E comece com você mesmo!" 

(Martha Medeiros)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Não há quem...



Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita.
Não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar.
Fechamos os olhos para garantir a memória da memória.
É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo.
O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória.
Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível.
Viver é boiar, recordar é nadar.



Fabrício Carpinejar

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O laço e o abraço




Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o
laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de
braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.

E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.


Ah! Então, é assim o amor, a amizade.

Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço
afetivo, laço de amizade.

E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum
pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...

Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!



Mário Quintana

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Mas quem disse que é fácil?





É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

Clarice Lispector

terça-feira, 17 de maio de 2011

A dor da perda






É um caminho inevitável. Temos todos, um dia ou outro, de uma forma ou de outra (e geralmente de várias formas mesmo), que viver isso. Não porque é uma fatalidade do destino, mas porque faz parte da vida.
E cada um de nós vive, mesmo se de maneira dolorosa igual, de um jeito diferente as diferentes perdas pelas quais temos que atravessar. 
A pior de todas, é quando alguém que a gente ama morre. Esse é um sentimento de perda irreparável. Um amigo não vale pelo outro, um irmão não vale pelo outro e nada no mundo poderá substituir nossos pais. Tenho uma amiga sábia que diz que "nunca somos velhos o suficiente para ficarmos órfãos." E ela tem razão. E mesmo se o tempo aplaca essa dor, sempre vai ficar dentro da gente aquele sentimento indecifrável de vazio. É a idéia do "nunca mais ver" que dói mais. E quando esta se une à idéia de não termos feito algo mais, não termos dito algo mais, ainda é pior. 

Outra dor de perda é quando a pessoa que se ama se vai. Nesse caso existe uma mistura de dor de orgulho e dor de medo de se ficar sozinho, muitas vezes porque o que existia não era realmente amor, mas uma dependência emocional do outro. Dor de orgulho, porque ninguém nessa vida foi feito pra perder. Dor de ter sido deixado, dor de rejeição, que chega a doer até fisicamente. Não adianta dizer nesse momento que "quando se perde um ônibus vem dez atrás", porque a pessoa vai te dizer que o que perdeu era justamente aquele que queria. Mas quando o tempo cura essa ferida (e o tempo cura todas as feridas!) e o coração começa a bater mais forte por outra pessoa, aí então a gente esquece. E ninguém precisa ter medo de ficar sozinho, pois só vai ficar sozinho quem não se abrir a novas possibilidades.

E com isso tudo, o que é preciso mesmo é que aprendamos o sentimento de aceitação. Não passiva, de se deixar levar. Mas aquela de quando se sabe que vai se viver o inevitável, de viver isso da melhor maneira possível. Nenhum de nós está preparado pra isso, mas sabemos que é a vida.
E não deixar que a dor do orgulho possa impedir que vivamos, isso é importante. Alguém me contou recentemente que sofreu dois anos por ter perdido um amor e depois é que reconheceu que o sofrimento não era realmente de amor, mas do orgulho de ter sido deixado. Uma vez reconhecido isso, ele deu um passo à frente e encontrou aquela que hoje em dia é sua esposa, que portanto já fazia parte do grupo que conhecia e freqüentava. É preciso muita sabedoria para se tirar a venda do orgulho dos olhos.

 Fazer com que os que amamos saibam disso é uma maneira de se preparar a viver diferente a perda, se esta se der. É preciso dar de si mesmo enquanto se pode. É preciso evitar o "ah, se eu soubesse" e "ah, se eu pudesse voltar" do futuro. É preciso oferecer flores enquanto se pode vê-las e senti-las.
Se você gosta de alguém, diga, demonstre. Nem todo mundo sabe adivinhar. Transforme em gestos e palavras tudo aquilo que se passa no seu coração.
 Vive muito melhor dor de perda quem sabe que fez a sua parte. Ainda vai doer, mas de maneira bem diferente.


Letícia Thompson


"A gente passa a vida toda achando que é imortal." Caio F. Abreu

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Razão, estação ou uma vida inteira







Pessoas entram na sua vida por uma "Razão", uma "Estação" ou uma "Vida Inteira". Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada pessoa.

Quando alguém está em sua vida por uma "Razão"... é, geralmente, para suprir uma necessidade que você demonstrou. Elas vêm para auxiliá-lo numa dificuldade, te fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física, emocional ou espiritualmente. Elas poderão parecer como uma dádiva de Deus, e são! Elas estão lá pela razão que você precisa que eles estejam lá. Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim. Ás vezes, essas pessoas morrem. Ás vezes, eles simplesmente se vão. Ás vezes, eles agem e te forçam a tomar uma posição. O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho delas, feito. As suas orações foram atendidas. E agora é tempo de ir.

Quando pessoas entram em nossas vidas por uma "Estação", é porque chegou sua vez de dividir, crescer e aprender. Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir. Elas poderão ensiná-lo algo que você nunca fez. Elas, geralmente, te dão uma quantidade enorme de prazer... Acredite! É real! Mas somente por uma "Estação".

Relacionamentos de uma "Vida Inteira" te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida. Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida. É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente. Obrigado por ser parte da minha vida.

Pare aqui e simplesmente SORRIA.

"Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro,
Ame como se você nunca tivesse sido magoado, e dance como
se ninguém estivesse te observando."

"O maior risco da vida é não fazer NADA."



Martha Medeiros

domingo, 15 de maio de 2011

Os benefícios da música





Independentemente do som que você curta, todo mundo precisa de alguma coisa para escutar. Um mundo sem canções seria algo sem graça, pois, as melodias e harmonias fazem parte de nossas vidas. Em uma vida contemporânea cada vez mais barulhenta, elas se tornam cada vez mais necessárias. Vai dizer que você nunca ouviu alguma música que lhe tranqüilizou? Ou, alguma que fez com que respirasse fundo, pois retratava algum momento especial da sua vida? Pois é, muitas canções, através de suas palavras e notas musicais nos remetem a uma sensação de paz e felicidade e nos transportando para um estado até mesmo de graça. 

Não é de hoje que o homem sabe que a música faz bem para a sua saúde. Desde a Grécia antiga já havia estudos sobre isso. O filósofo Aristóteles, por exemplo, no século V a.C, reparou que as canções causavam uma influência positiva sobre o corpo humano e passou a utilizá-las para ajudar pessoas que sofriam com problemas psicológicos.

Em 1500 a.C, Papiros de Kahun, percebeu que a música trazia benefícios a mulheres grávidas e passou a usufruir dela, para ajudar durante a gestação. Mas, foi somente após a primeira guerra mundial, que as melodias passaram a serem utilizadas em hospitais como terapia para veteranos de batalhas. A partir de então, essa ciência não parou de evoluir

os dias atuais existem até cursos que formam profissionais que tratam pacientes com problemas físicos, mentais e sociais através do uso da música e sons. Através da utilização de instrumentos musicais, vocais ou ruídos é possível tratar diversos problemas. Portadores de distúrbios da fala, além de pessoas com deficiências auditivas, mentais, estudantes com dificuldades de aprendizado ou até mesmo pacientes com câncer ou aids, podem ser tratados por musicoterapeutas, que são os profissionais que estudam essa área.

Pelo forte impacto causado pela música no cérebro humano, recomenda-se que ela seja introduzida na vida das crianças desde cedo. Ela ajuda na prevenção de mal de Alzheimer e reduz a ansiedade e a solidão podendo assim evitar a depressão. Por diminuir o estresse, ela permite que o corpo fique mais relaxado, deixando o sistema imunológico livre para trabalhar no seu potencial máximo, ajudando assim a combater doenças cotidianas: como gripes e resfriados.



São inúmeros os benefícios que a música traz para nossa saúde e mente. Ela nos torna mais humanos, nos ajudando a entender o sentimento do próximo, melhorando o relacionamento com as pessoas. Através da música é possível protestar, impor uma opinião, mover multidões, podendo assim mudar toda uma geração. A música não faz bem somente a uma pessoa e sim ao mundo todo. Respeitando o gosto de cada um e não abusando da altura do som, a música só tende a lhe te fazer o bem. Por isso cante, ouça, sinta todo o poder que um som pode trazer. 

Gabriel Ribeiro da Silva



Sempre temos nossas músicas favoritas e uma que estamos ouvindo mais nos últimos dias; eu tenho ouvido muito uma do Foo Fighters chamada times like these e vocês, o que têm ouvido?



sábado, 14 de maio de 2011

Coisas pequeninas




Pouca gente conhece a importância da boa execução das coisas mínimas.
Há homens que, com falsa superioridade, zombam das tarefas humildes, como se não fossem imprescindíveis ao êxito dos trabalhos de maior envergadura.
Um sábio não pode esquecer-se de que, um dia, necessitou aprender com as letras simples do alfabeto.
Além disso, nenhuma obra é perfeita se as particularidades não foram devidamente consideradas e compreendidas.
De modo geral, o homem está sempre fascinado pelas situações de grande evidência, pelos destinos dramáticos e empolgantes.
Destacar-se, entretanto, exige muitos cuidados.
Os espinhos também se destacam, as pedras salientam-se na estrada comum.
Convém, desse modo, atender às coisas mínimas da senda que Deus nos reservou, para que a nossa ação se fixe com real proveito à vida.
A sinfonia estará perturbada se faltou uma nota, o poema é obscuro quando se omite um verso.
Estejamos zelosos pelas coisas pequeninas pois são parte integrante e inalienável dos grandes feitos. 

Chico Xavier

"Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples." Manuel Bandeira

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A importância do sorriso




O sorriso não é o mesmo que o riso. Separa-os um fosso tão grande como o que separa as lágrimas silenciosas, diante de um desgosto, dos gritos histéricos e lancinantes de quem não sabe dominar-se. Bergson escreveu: “O riso é algo que irrompe num estrondo e vai retumbando como o trovão na montanha, num eco que, no entanto, não chega ao infinito”. O sorriso, pelo contrário é silencioso como chuva mansa que cai e fertiliza a terra ou como brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Enquanto o riso é extroversão, o sorriso desvenda delicadamente o interior de quem sorri.
O poder do sorriso é grande, e saber sorrir é algo de muito importante. Antoine de Saint-Exupéry diz: “No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele”.
O sorriso traduz, geralmente, um estado de alma; é um convite a entrar na intimidade de alguém, a participar do que lhe vai no íntimo. É por isso que o homem é o único animal que sorri; e, como é dotado de inteligência e vontade, pode sorrir quando tudo vai bem ou sorrir mesmo que as coisas corram menos bem – tudo se resume na harmonia interior.
O sorriso é o que primeiro acontece quando um rapaz e uma rapariga se olham e se enamoram. Não sabem explicar por que se enamoram, mas é-lhes impossível deixar de sorrir um para o outro, num sorriso cúmplice de quem não precisa de palavras para dizer o que sente. Se o enamoramento continua vem a fase em que, juntos, acham graça a tudo, sem prestarem atenção a nada do que os rodeia. Então, por vezes o seu sorriso muda-se em riso estrondoso, mas cristalino manifestando toda a força da sua juventude. Se o enamoramento leva ao namoro e este ao amor que conduz ao casamento estável, então saber sorrir é fundamental para vencer o desgaste da rotina do dia a dia e para evitar o afastamento de dois seres que, vivendo muito perto, estão interiormente afastados – não estão em sintonia.
É pois muito importante saber sorrir. Um sorriso pode dissipar uma angústia, se for simpático, ou aumentá-la se for sarcástico; pode estimular um trabalho, se for de aprovação, ou desanimar quem trabalha se for cínico; pode criar uma amizade, se for sincero e transparente, ou um afastamento se for hipócrita; pode humilhar de modo irreversível se não for autêntico e espontâneo.
O sorriso pode ser um grande auxiliar na educação. Não o sorriso que pactua com a asneira, mas o sorriso que acompanha uma repreensão justa e que mostra ao visado que, apesar da dureza e firmeza da repreensão, há amizade e compreensão.
Sorrir, porém, pode ser uma tarefa difícil. A dor e o cansaço tornam, por vezes, o sorrir muito árduo. Se há fortaleza interior então há sorriso, mas dorido. Perguntaram um dia a uma doente em grande sofrimento: “Como te sentes?”. A resposta foi desconcertante: com um sorriso-dorido respondeu: “dói-me tudo”.
Mas como anda desvirtuado o sorriso! Será que podemos chamar sorriso o que vemos no rosto dos que assinam os “tratados de paz e cooperação”? Não, o que vemos não passa de um esgar.
E termino com uma frase que vinha num calendário de bolso que me deram: “Não critique, ajude; não grite, converse; não acuse, ampare e… não se irrite, sorria”.
(Maria Fernanda Barroca)

Foto: foi um dia em que eu participei da  Operação Sorriso, um dia mágico. Renan e eu.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Sentir-se amado




O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.



Martha Medeiros

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Escolhemos





"Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal, não hesitando em usar o bom senso, a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva, e as mágoas que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las." 

Nietzsche

terça-feira, 10 de maio de 2011

Não temos amado, acima de todas as coisas



"(...) Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro.Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentesNão temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia (...)"

(Clarice Lispector, in: Uma Aprendizagem ou O Livro do Prazeres)

Meu primeiro selinho

           


 A  adorável Lena, do blog http://amadeirado.blogspot.com/ me ofereceu carinhosamente, esse prêmio, "The Versatile Blogger". Obrigada Lena, amei o selo!



As regras para receber o prêmio encontram-se a seguir:

1.Agradecer e linkar de volta o blogueiro que te enviou o prêmio.
2.Divida 7 coisas sobre você.
3.Premiar outros 5 a 15 blogueiros.
4.Entre em contato com esses blogueiros para avisar sobre os prêmios e para que eles levem o selo da versatilidade para seu blog e distribua a outros colegas blogueiros.

Vamos lá:

1- Sou viciada em música, vou trabalhar ouvindo e ouço milhões de vezes a mesma música.
2- Sou apaixonada por livros e bibliotecas me encantam desde pequenina.
3- Gosto muito de ler coisas de psicologia, sou professora, mas ler sobre psicologia me fez amadurecer muito. E isso tbm é culpa de meus amigos que na maior parte são psicólogos.
4- Sou a palhaça sensível da turma...adoro fazer as pessoas rirem quando elas precisam esquecer seus problemas.
5- Amoooooooooooooooooooooo frio!
6- Gosto muito de coisas antigas, como LPs, vitrola, cantores que não são da minha época entre outras coisas...tenho a impressão que não sou dessa época. Sério!!!
7- Moro com meus pais; Maria e José e irmã; Ana Lúcia (um ano mais nova que eu) e nosso cachorro Willy. Me considero privilegiada pela família que formamos. 

Cinco blogs que escolhi: 





Como vocês viram é meu primeiro selinho, obrigada Lena, vc é muito querida =)

domingo, 8 de maio de 2011

Reflexão






"O que as criaturas desejam é encorajamento. Não se deve censurar sistematicamente os defeitos de alguém, mas apelar para suas virtudes. Ao tentar afastar uma alma do mal caminho, deve-se descobrir e fortalecer o melhor da sua índole, o lado bom que ainda não aflorou. A influência que o bom caráter exerce é contagiosa e pode revolucionar uma vida inteira... Todas as criaturas irradiam o que pensam e o que trazem no coração (...) Quem procura o mal, certamente o encontrará. Mas quando se procura o bem na esperança de encontrá-lo, logo o bem aparecerá..."

(Eleanor H. Porter em: Poliana)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Em degradé


Algumas preciosidades morrem baixinho, em dégradé. Como morrem as tardes. Como morrem as flores. Como morrem as ondas. Quando a gente percebe, já é noite e o céu, se está disposto a falar, diz estrelas. Quando a gente percebe, as pétalas já descansam o seu sorriso no colo do chão. Quando a gente percebe, o canto da onda já enterneceu a areia. Muitas dádivas que nos encontram, que nos encantam, têm seu tempo de viço, sua hora de recado, e seu momento de transformação em outro jeito de lindeza.

A noite também é bela do jeito dela. As pétalas caídas viram húmus para fertilizar o solo que dirá a vez de outras flores sorrirem. A areia molhada conta a canção da onda e da sua acolhida terna para a nossa vida descalça. Lutar contra a impermanência da cara das coisas é feito tentar prender o azul macio das tardes, segurar o viço risonho das flores, amordaçar as ondas. É inútil.

Costumamos esquecer que não podemos impedir a mudança: tudo dança a coreografia sábia e implacável da impermanência. Mas a música daquilo que verdadeiramente nos toca com amor, não importa o quanto tudo mude - e tudo muda -, não deixa nunca mais de tocar e viver, de algum jeito, no nosso coração.

Ana Jácomo

Cartas de fora para dentro - carta 2

Quando pequena achava que só se nascia uma vez, mas quando cresci descobri que temos muitas vidas em uma. Que é preciso subtrair o p...